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Nonlinear q-Voter

Universidade Federal de Viçosa (UFV)

O modelo q-votante não-linear:

📄 Nonlinear q-voter model
Claudio Castellano, Miguel A. Muñoz, and Romualdo Pastor-Satorras
Physical Review E 80, 041129 (2009).

Regras de atualização

Processo de Markov em tempo discreto:

Esta regra leva, naturalmente, à taxa de transição ff de um determinado sítio ii. Sendo xx a fração de vizinhos com spin diferente, então devemos levar em conta as probabilidades de:

Deste modo, f(x;q,ε)=xq+ε(1xq(1x)q)f(x;q,\varepsilon) = x^q + \varepsilon\big(1 - x^q - (1-x)^q\big). Utilizamos esta taxa para o algoritmo de Gillespie.

Processo de Markov em tempo contínuo, sendo NN o tamanho da rede e maxf=maxx[f(x;q,ε)]\max_f=\max_x\left[f(x;q,\varepsilon)\right]:

Situação atual do q-Voter na literatura

A revisão do Michele sobre dinâmica de opinião foi a principal referência para pesquisar sobre o status do modelo do q-voter na literatura atual:

📄 Opinion dynamics: Statistical physics and beyond
Michele Starnini, Fabian Baumann, Tobias Galla, David Garcia, Gerardo Iñiguez, Márton Karsai, Jan Lorenz, Katarzyna Sznajd-Weron
arXiv preprint arXiv:2507.11521 (2024/2026).


A questão é que o modelo original, tal como proposto por Castellano, não foi extensivamente estudado. Nos artigos que verifiquei, a maioria segue por dois caminhos principais: adotar ε=0\varepsilon=0 ou adotar o modelo com repetição, que vamos chamar, aqui, de variante q-voter.

A variante foi originalmente proposta neste artigo:

📄 Phase transitions in the q-voter model with two types of stochastic driving
Piotr Nyczka, Katarzyna Sznajd-Weron, and J. Cisło
Physical Review E 86, 011105 (2012).

A questão que o diferencia do q-voter original é fazer uma seleção de vizinhos sem repetição, fixando ε=0\varepsilon=0 e adicionando um “ruído social” pp, para modelar conformismo ou anticonformismo do agente com o grupo social. A regra de atualização se torna:

Este modelo também tem uma variação para simular independência do agente em relação à rede:

Este segundo, chamaremos de variante q-voter com independência.

Ao que parece, a bibliografia posterior ao trabalho de Castellano deu preferência a este “segundo” q-voter. A tabela abaixo reúne vários artigos consultados, discriminando-os pelo modelo analisado, tipo de amostragem de vizinhos (com/sem repetição), topologia e métodos de estudo.

ArtigoModeloDescrição (Diferenças vs. Original)AmostragemTopologias AvaliadasMétodo de Simulação / Analítico
Castellano et al. (2009)q-voter originalModelo base (ruído ε\varepsilon apenas se o grupo discordar).Com reposiçãoGrafo Completo, Redes 1D e 2D.Tempo Discreto (assíncrono) / Mean-Field (Fokker-Planck)
Pugliese & Castellano (2009)Voter model clássicoq=1q=1 (ruído ε\varepsilon não se aplica).N/A (q=1q=1)Configuration Model (UCM), Erdős-Rényi.Tempo Discreto / Heterogeneous Pair Approx. (HPA)
Nyczka et al. (2012)variante q-voterO marco da bifurcação: Zera ε\varepsilon original e introduz ruído pp (independência vs. anticonformismo).Sem reposiçãoGrafo Completo.Analítico / Equação Mestra (Landau)
Moretti et al. (2013)q-voter originalMantém o modelo original e estende a teoria para redes.Com reposiçãoRandom Regular (RRN), HMF teórico.Tempo Discreto / Heterogeneous Mean-Field (HMF)
Javarone & Squartini (2015)variante q-voterFixa q=4q=4 e ε=0\varepsilon=0. Agentes fixos (quenched) conformistas e não-conformistas.AleatóriaErdős-Rényi, Barabási-Albert, Watts-Strogatz.Tempo Discreto
Jędrzejewski et al. (2016)variante q-voter com independênciaUsa o parâmetro pp herdado de Nyczka. Testa diferentes formas de formar a vizinhança.Sem reposiçãoRede Quadrada, Watts-Strogatz, Barabási-Albert.Tempo Discreto
Jędrzejewski (2017)variante q-voter com independênciaRuído global de independência pp (annealed).Sem reposiçãoErdős-Rényi, Barabási-Albert, Watts-Strogatz, RRG.Tempo Discreto (assíncrono) / Aproximação de Pares (PA)
Gradowski & Krawiecki (2020)variante q-voter com independênciaRegras condicionais para decisão entre diferentes camadas da rede.Sem reposiçãoRedes Multiplex (RRG, ER, Scale-Free).Tempo Discreto / PA Homogênea, Mean-Field
Jędrzejewski & Sznajd-Weron (2022)variante q-voter com independênciaCompara o ruído “quenched” (agentes fixos) com “annealed” (todos com prob. pp).Sem reposiçãoRandom Regular (RRG), Barabási-Albert (BA).Tempo Discreto / Aproximação de Pares (PA)
Fardela et al. (2025)variante q-voter com independência (Mídia)Fixa ε=0\varepsilon=0. O agente adota o estado +1 com prob. pp se o painel não for unânime.Com reposiçãoBarabási-Albert (BA).Tempo Discreto / Finite-Size Scaling
Lipiecki & Sznajd-Weron (2025)variante q-voterExtensão Multiestado (S>2S>2) focada em anticonformismo (pp). Fixa ε=0\varepsilon=0.Sem reposiçãoRRG, Barabási-Albert, Watts-Strogatz.Tempo Discreto / Aproximação de Pares (PA)
Starnini et al. (2024)ReviewDestaca a distinção matemática e topológica entre as dezenas de variantes.AmbasRevisão geral da literatura.Revisão da Literatura
[Nosso Trabalho]q-voter originalEstudo do modelo original em redes complexas.Com reposiçãoScale-free, Erdős-Rényi, RRN.Tempo Contínuo (Gillespie)

Outra coisa importante de destacar é a quantidade de modelos diferentes genericamente chamados pelo mesmo mesmo nome, q-voter ou nonlinear q-voter. Para verificar, de fato, de qual modelo se trata num dado trabalho, é necessário olhar como é definido o modelo utilizado. A revisão do Michele dedica duas seções inteiras (IV.A.2 e IV.B.3) para organizar a vasta família que deriva do original, da qual apresento um resumo na tabela abaixo.

Variante / Nome na LiteraturaArtigo Original (citado na Revisão)Diferenças vs. q-Voter Original (Castellano 2009)
Nonlinear q-voter originalCastellano et al. (2009)O painel de tamanho qq é amostrado com reposição. O ruído ε\varepsilon só atua se o painel não for unânime.
Noisy nonlinear voter / q-voter com independênciaNyczka et al. (2012), Peralta et al. (2018)O ruído de mudança de opinião ocorre com uma taxa constante pp (“independência”), mesmo se o painel concordar. Isso destrói os estados absorventes do modelo original. Geralmente usa amostragem sem reposição.
q-voter com anticonformismoNyczka et al. (2012)Amostragem sem reposição. Se o painel for unânime, o agente tem uma probabilidade pp de adotar a opinião oposta à do painel (anticonformismo). Se não for unânime, nada acontece (ε=0\varepsilon=0).
Nonlinear voter model (com qq real)Vazquez et al. (2010)O parâmetro qq deixa de representar um número inteiro de vizinhos consultados e passa a ser um expoente real contínuo. Para q<1q<1, a dinâmica favorece minorias (coexistência); para q>1q>1, favorece a maioria.
Threshold q-voterNyczka & Sznajd-Weron (2013), Vieira & Anteneodo (2018)Relaxa a regra de unanimidade: o agente é influenciado se apenas um subgrupo q0qq_0 \le q concordar. Gera um diagrama de fases ainda mais complexo.
Asymmetric q-voterDoniec et al. (2025), Mullick & Sen (2025)Quebra a simetria clássica (up/down) introduzindo um viés explícito em direção a uma das opiniões. A probabilidade de saída (exit probability) deixa de ter a forma clássica em “S”.
Multistate q-voterNowak & Sznajd-Weron (2022), Lipiecki & Sznajd-Weron (2025)Estende o modelo para GG opiniões (estados) não-ordenados. Introduz transições de fase descontínuas em versões com ruído estático (quenched disorder).

Ponto de partida

Como o modelo de interesse é, por assim dizer, negligenciado pela literatura, o ponto de partida são os artigos que estudam as propriedades centrais do q-voter, tanto em reticulados Zd\mathbb{Z}^d quanto com teorias de campo médio:

📄 Nonlinear q-voter model
Claudio Castellano, Miguel A. Muñoz, and Romualdo Pastor-Satorras
Physical Review E 80, 041129 (2009).

📄 Mean-Field Analysis of the q-Voter Model on Networks
Paolo Moretti, Suyu Liu, Claudio Castellano, and Romualdo Pastor-Satorras
Journal of Statistical Physics 151, 113–130 (2013).

Assim, é necessário estudar tanto a implementação em reticulados quanto em redes complexas. Este par de artigos oferece uma base para guiar o que estudar.

Os trabalhos anteriores ao de Castellano que caracterizam a dinâmica de um possível modelo do votante não-linear são:

Primeiro trabalho sobre generalizações não-lineares do modelo do votante.

📄 Nonlinear Voter Models
J. T. Cox and R. Durrett
Em: Random Walks, Brownian Motion, and Interacting Particle Systems: A Festschrift in Honor of Frank Spitzer (Birkhäuser, Boston, MA), pp. 189–201 (1991).

Solução exata do modelo do votante (linear).

📄 Exact results for kinetics of catalytic reactions
L. Frachebourg and P. L. Krapivsky
Physical Review E 53, R3009(R) (1996).

Definição da classe de universalidade GV.

📄 Critical Coarsening without Surface Tension: The Universality Class of the Voter Model
Ivan Dornic, Hugues Chaté, Jérôme Chave, and Haye Hinrichsen
Physical Review Letters 87, 045701 (2001).

Equação de Langevin para a classe de universalidade GV.

📄 Langevin Description of Critical Phenomena with Two Symmetric Absorbing States
Omar Al Hammal, Hugues Chaté, Ivan Dornic, and Miguel A. Muñoz
Physical Review Letters 94, 230601 (2005).

Equação de Langevin a partir de hipóteses de simetria

📄 Systems with two symmetric absorbing states: Relating the microscopic dynamics with the macroscopic behavior
Federico Vazquez and Cristóbal López
Physical Review E 78, 061127 (2008).

Quantidades e definições

Dada uma rede (V,E)\big(V,E\big) com NN nós e matriz de adjacência AijA_{ij}, definimos:

Nos interessa diferenciar os comportamentos assintóticos possíveis do modelo. Podemos ter a ocorrência de:

Assim, adotando a notação _\infty para grandezas assintóticas (isto é, medidas em tt\to\infty), definimos, também:

Desse modo, a ocorrência de clustering é caracterizada por E[ϕ=±1]1\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]\to 1, enquanto a ocorrência de coexistence, por E[ϕ=±1]0\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]\to 0; ou, ainda, respectivamente, E[ϕ=sgn(ϕ0)]=1\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\text{sgn}(\phi_0)\big]=1 e E[ϕ=±1]=0\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]=0.

References
  1. Castellano, C., Muñoz, M. A., & Pastor-Satorras, R. (2009). Nonlinear<mml:math xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" display="inline"><mml:mi>q</mml:mi></mml:math>-voter model. Physical Review E, 80(4). 10.1103/physreve.80.041129
  2. Nyczka, P., Sznajd-Weron, K., & Cisło, J. (2012). Phase transitions in the<mml:math xmlns:mml=“http://www.w3.org/1998/Math/MathML” display=“inline”><mml:mi>q</mml:mi></mml:math>-voter model with two types of stochastic driving. Physical Review E, 86(1). 10.1103/physreve.86.011105
  3. Castellano, C., Muñoz, M. A., & Pastor-Satorras, R. (2009). Nonlinear<mml:math xmlns:mml=“http://www.w3.org/1998/Math/MathML” display=“inline”><mml:mi>q</mml:mi></mml:math>-voter model. Physical Review E, 80(4). 10.1103/physreve.80.041129
  4. Pugliese, E., & Castellano, C. (2009). Heterogeneous pair approximation for voter models on networks. EPL (Europhysics Letters), 88(5), 58004. 10.1209/0295-5075/88/58004
  5. Moretti, P., Liu, S., Castellano, C., & Pastor-Satorras, R. (2013). Mean-Field Analysis of the q-Voter Model on Networks. Journal of Statistical Physics, 151(1–2), 113–130. 10.1007/s10955-013-0704-1
  6. Alberto Javarone, M., & Squartini, T. (2015). Conformism-driven phases of opinion formation on heterogeneous networks: theq-voter model case. Journal of Statistical Mechanics: Theory and Experiment, 2015(10), P10002. 10.1088/1742-5468/2015/10/p10002
  7. Jȩdrzejewski, A., Sznajd-Weron, K., & Szwabiński, J. (2016). Mapping the <mml:math xmlns:mml=“http://www.w3.org/1998/Math/MathML” altimg=“si44.gif” display=“inline” overflow=“scroll”><mml:mi>q</mml:mi></mml:math>-voter model: From a single chain to complex networks. Physica A: Statistical Mechanics and Its Applications, 446, 110–119. 10.1016/j.physa.2015.11.005
  8. Jędrzejewski, A. (2017). Pair approximation for the<mml:math xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>q</mml:mi></mml:math>-voter model with independence on complex networks. Physical Review E, 95(1). 10.1103/physreve.95.012307
  9. Gradowski, T., & Krawiecki, A. (2020). Pair approximation for the <mml:math xmlns:mml=“http://www.w3.org/1998/Math/MathML”><mml:mi>q</mml:mi></mml:math> -voter model with independence on multiplex networks. Physical Review E, 102(2). 10.1103/physreve.102.022314
  10. Jędrzejewski, A., & Sznajd-Weron, K. (2022). Pair approximation for the  <mml:math xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"><mml:mi>q</mml:mi></mml:math> -voter models with quenched disorder on networks. Physical Review E, 105(6). 10.1103/physreve.105.064306
  11. Cox, J. T., & Durrett, R. (1991). Nonlinear Voter Models. In Random Walks, Brownian Motion, and Interacting Particle Systems (pp. 189–201). Birkhäuser Boston. 10.1007/978-1-4612-0459-6_8
  12. Dornic, I., Chaté, H., Chave, J., & Hinrichsen, H. (2001). Critical Coarsening without Surface Tension: The Universality Class of the Voter Model. Physical Review Letters, 87(4). 10.1103/physrevlett.87.045701
  13. Vazquez, F., & López, C. (2008). Systems with two symmetric absorbing states: Relating the microscopic dynamics with the macroscopic behavior. Physical Review E, 78(6). 10.1103/physreve.78.061127